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Ver uma lontra é algo raro. Ver duas é muitíssimo raro. Macho e fêmea só se juntam para acasalar. Mais "fácil" é ver uma fêmea com uma cria, como neste caso, em que ambas sobem a margem do rio Alcoa.

Tive a felicidade de observar os dois mamíferos durante cerca de dois longos minutos. A fêmea farejava, marcava o território, entrava no rio rodopiando na água, para voltar logo a sair, sempre seguida e imitada pela jovem lontra.
Em processo de aprendizagem, os dois animais não estranharam o foco que lhes apontava, ou os repetidos relâmpagos do flash. Só reagiram ao 15º disparo, quando se encontravam na margem oposta à minha, atravessaram o rio a nado e esconderam-se entre umas plantas aquáticas, a cerca de três metros do local onde me encontrava. Bufando como um gato assanhado, espreitavam por entre a vegetação. Preferi perder uma boa foto a assustar mais os animais. Calmamente, levantei acampamento e fui-me embora. Enquanto me afastava, dei por mim a sorrir, pensando que o futuro das lontras de Alcobaça parece estar assegurado...